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Deputado Roberto Carlos propõe Sessão Solene e homenageia 165 anos da Revolta do Queimado

Para lembrar a resistência contra a escravidão e a luta pela dignidade da população negra, acontece nesta quarta-feira (19), na Assembleia Legislativa, auditório Dirceu Cardoso, a Sessão Solene em Homenagem aos 165 Anos da Revolta do Queimado. O evento é proposto pelo deputado Roberto Carlos e irá homenagear 15 pessoas com a Comenda Chico Prego.

A Revolta do Queimado ocorreu em 1849, em São José do Queimado, na Serra, e foi o maior levante de escravos por liberdade já registrado na história do Espírito Santo. Na época, três negros escravos – Chico Prego, Elisiário e João da Viúva – foram os responsáveis por liderar a insurreição, exigindo a alforria dos escravos.

“O final da revolta resultou em prisões e mortes de muitos negros, mas a luta ficou para a história e não pode ser esquecida. Lembrarmos da resistência desses heróis é importante para continuarmos a defender uma sociedade mais justa nos dias atuais”, disse Roberto Carlos.

A Sessão Solene em homenagem à Revolta do Queimado é proposta pelo deputado Roberto Carlos desde 2005, quando então era vereador pelo município da Serra, e tem por finalidade lembrar a luta dos negros escravos pela liberdade.

Foto Antonio Carlos Sessa (Tonico) (72)

Sessão solene da “Revolta do Queimado”, em 2013, no plenário da Assembleia Legislativa (Foto: Tonico/ Ales)

Confira os homenageados:

Antônio Bento da Silva Filhonascido em Belford Roxo, Rio de Janeiro, o artista é nacionalmente conhecido como Toni Garrido e compõe a banda de reggae Cidade Negra desde 1994. Fisioterapeuta por formação, Toni começou a tocar violão e cantar na igreja e se tornou um dos artistas mais versáteis do cenário nacional: além de cantar, compõe, apresenta e representa, tendo feito trabalhos como ator, entre eles protagonizar o filme Orfeu. Em seus diversos trabalhos, eleva o nome do Brasil até internacionalmente.

Eliézer de Albuquerque Tavaresé formado em Administração pela FAESA, com Mestrado e Especialização em Educação pelo Instituto Pedagógico Latino Americano e Caribenho de Havana, Cuba. É funcionário do Banestes desde 1985 e foi professor de nível médio e universitário. Foi vereador em Vitória por três mandatos e autor do projeto de lei que institui, na rede municipal de ensino fundamental, o conteúdo antirracista e antidiscriminatório. É militante das causas dos direitos humanos.

Emerson Magno Santana Ribeiro, nascido no bairro Alto Boa Vista, Xumbrega, como é conhecido, canta o que seu município, Cariacica, tem de melhor. Ocupa o cargo supremo de sua agremiação do coração, o GRES Independente de Boa Vista, no posto de presidente. Na agremiação, que atualmente é tricampeã do Carnaval Capixaba, ele também ocupa o papel de intérprete para defender a azul, vermelho e branco de Itaquari.

Gustavo Henrique Araújo Forde, capixaba, militante do movimento negro capixaba desde os anos 90. É professor com atuação na educação básica e na pós-graduação e pesquisador na temática relação étnico-racial e afrodescendência na educação. Desenvolveu diversas ações na luta social, da produção acadêmica e da ação pedagógica. Ajudou a propor o Conselho Municipal do Negro da Serra e a elaborar o projeto de Cotas na Ufes. É membro fundador e coordenador do Núcleo de Estudos Afro-brasileiros do Ifes.

Jefferson Nunes Pereira Júnior, natural de Vitória, Capitão Pereira é comandante da 1ª Cia do 7º Batalhão da Polícia Militar e tem longa trajetória no processo de construção da Igualdade Racial. Foi um dos fundadores do Pré-vestibular Popular Quilombo, no Bairro Maracanã, Cariacica, entidade atua ainda na formação cidadã de jovens negras e negros da periferia. Em 2008, participou da ação pioneira no Estado de introduzir na grade curricular do Curso de Formação de Soldados da Polícia Militar a discussão da relação de Segurança Pública e Promoção da Igualdade Racial, ministrando aulas para os novos policiais.

Jorge Carlindo Da Silvamestre Jorginho, como é conhecido, é natural do Rio de Janeiro e morador do Espírito Santo há 37 anos.  É projetista mecânico e empresário no ramo siderúrgico. Praticante ativo do futebol e da cultura , especificamente escola de samba (mestre de bateria). Está sempre envolvido com toda a família em movimentos culturais, como voluntários.

José Roberto Andrade, advogado, designado primeiro presidente da Comissão de Igualdade Racial da OAB-ES, em setembro de 2012. Comissão esta que Andrade ajudou a reivindicar sua criação e atualmente conta com agenda intensa para discutir a temática. Ele tem histórico de militância em direitos humanos, principalmente através da Ordem dos Advogados do Brasil, quando atuou em sua Comissão de Direitos Humanos. Sua atuação na questão racial sempre foi difusa, combatendo a desigualdade racial em sua militância partidária e na OAB.

 Luiz Inácio Silva da Rocha, conhecido também como Lula, é morador de Cariacica e militante do Movimento Negro. Participou ativamente do processo contemporâneo de organização da Juventude Negra Brasileira, ajudando na criação do Fórum Nacional e Estadual de Juventude Negra (FONAJUNE e FEJUNES), e pautando a necessidade de enfrentamento aos altos índices de homicídio que recai sob este segmento. Lula também é integrante de diversas entidades de amparo a crianças e jovens e de defesa dos direitos humanos.

Mauricio José da Silva, secretário de Estado da Cultura. É técnico cultural efetivo do Estado há 35 anos e já passou pela Fundação Cultural do Espírito Santo. Foi gestor do Departamento Estadual de Cultura (antigo DEC), de 1987 a 1991. Por 16 anos, Maurício também foi diretor do Theatro Carlos Gomes, um dos mais importantes espaços culturais do Espírito Santo.

Olindina Serafim Nascimento, pedagoga, mestre em Educação Ufes e professora da rede municipal de São Mateus, onde atuou como coordenadora de Formação Continuada das Relações Étnico-Raciais. Atualmente é coordenadora de Comunidades Tradicionais e Diversidade Religiosa na Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos. É membro da Coordenação Estadual de Quilombos do Espírito Santo e da Comissão Quilombola do Sapê do Norte.

Osvaldo Martins de Oliveira, nascido em Linhares, é filósofo com mestrado e doutorado em Antropologia. Professor adjunto de Antropologia, da Ufes. Coordena o Programa de Pesquisa e Extensão “Jongos e Caxambus: culturas afro-brasileiras no Espírito Santo”; e coordenou o comitê Quilombos da Associação Brasileira de Antropologia. É pesquisador sênior do Núcleo de Estudos sobre Identidade e Relações Étnicas da Universidade Federal de Santa Catarina e pesquisador colaborador do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros da Ufes.

Sandro José da Silva, capixaba nascido em Vitória, é doutor em Antropologia pela Universidade Federal Fluminense, mestre em Antropologia Social pela Universidade Estadual de Campinas e Bacharel em Ciências Sociais pela Ufes. Professor na Ufes, desenvolve projetos de pesquisa e extensão sobre relações étnico-raciais, patrimônio cultural e Direitos Humanos.

Suely Bispo, atriz, mestre em estudos literários, poeta e historiadora. Começou a atuar no Movimento Negro no final dos anos 80. Participou da criação do Grupo de Mulheres Negras no ES e no princípio do Oborin Dudu. É sócio-fundadora do Instituto ELIMU Professor Cleber Maciel e integra o grupo de pesquisadores da entidade. Seus trabalhos geralmente se relacionam com a valorização da cultura negra, cidadania e ecologia. Foi coordenadora do Museu Capixaba do Negro de maio 2012 a outubro de 2013.

Vacinto Rosário Bento, nascido em Nova Almeida e conhecido como Mestre Zé Bento, é funcionário público municipal aposentado e já foi vereador na Serra de 1993 a 1996. Foi líder comunitário e há 40 anos tem sido um representante do congo em Nova Almeida. Ele dá aulas de congo em diversas instituições sociais. Os trabalhos são frutos do “Embarque neste Projeto: Não Deixe Nossa Cultura Morrer”, criado por ele. Bento também contribui para o Carnaval de Nova Almeida como mestre de bateria do Bloco Tradição.

Vandete Ramos, residente em Jacaraípe, na Serra, Vandete há 38 anos lida com a Doença Falciforme, que é genética e geralmente acomete a população afrodescendente (negros e pardos). Passou a ser uma pessoa atuante no tema quando descobriu a doença em seu filho, quando ele tinha dois anos de idade. Conheceu várias mães com filhos com mesma doença e montou a Associação de Portadores da Anemia Falciforme do Espírito Santo (Afes), realizando, com o deputado Roberto Carlos, diversas audiências públicas para troca de informações e busca de apoio contra a doença.

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